quarta-feira, 18 de junho de 2008

O que importa realmente?

A vellocidade do mundo hoje em dia beira a loucura, temos acesso a informação que ocorreu no outro lado do mundo quase instantaneamente. Procuramos sempre fazer mais e mais. Estuda, estuda, compra, compra, financia, finacia. Reduz aqui, reduz ali. Um diploma em dois anos fica obsoleto se não nos mantivermos atualizados, pós-graduação,MBA, inglês, etc.

Uns dizem que precisamos ler 1 livro por mês, falar pelo menos duas línguas, saber isso, saber aquilo, ser pro-ativo, praticar voluntariado, salvar o planeta, etc, etc, etc.

Um ano pagamos o financiamento da casa, no outro o financiamento do carro, em seguida o caríssimo curso de MBA. Sempre estamos devendo pra alguém, seja para o banco, seja para uma loja, seja para uma concessionária.

Se chegarmos em casa sem um livro pra ler, sem academia, sem prova de pós graduação para estudar acaba batendo aquela culpa. Culpa de estar ficando para trás, de estar devendo algo, de estar deixando de provar algo, que é bom, que é melhor, que tem competência, que não é reativo, que isso, que aquilo.

Um dia parei e pensei: como seria minha vida se vivesse n começo do século passado? Como seria minha vida com a vontade de crescer que tenho? Como seriam meus dias? Como seria minhas noites? O que eu compraria? O que eu leria? Como assistiria aos jogos de futebol? Aliás, existiriam jogos de futebol em campeonatos organizados?

Muito provavelmente eu não teria carro, não teria acesso á internet, não saberia que quanto maior o risco maior o retorno, não saberia que a Petrobras e a Vale são as ações mais rentáveis, que o mundo esta aquecendo por causa dos carros, que a Toyota ultrapassou a GM em números de carros vendidos, que muitas pessoas estão ficando obesas nos EUA, porém que também mais gente por lá fazendo academia por lá do que por aqui, que a Sony lançou uma televisão ultra fina flexível.

Muito provavelmente ele também não teria o sentimento do mundo esta passando e de estar ficando para trás.

Realmente não sei como seria minha vida naquela época mas acredito que teria sido mais feliz!!!

Duas Hannas, dois mundos

A Hanna e a Rana

A primeira é a Hanna animal, York Shire, bonita, cheirosa, de lacinhos, bem cuidada.

Eu e minha esposa cuidamos dela como se fosse nossa filha, a filha que ainda não temos. Conversamos com ela, cuidamos dela, damos banho, damos amor e carinho. Dorme quentinha no nosso meio, no colchão de molas ensacadas, caríssimo,

A outra é a Rana com “R”, pessoa, magra, magérrima, desafortunada, olhos amarelos, fundos, cansados. Mal vestida, aparentemente faminta, totalmente desrespeitada pela sociedade, por nós classe média bem empregada, bem alimentada e pelo nosso próprio juízo vítima do governo, sempre reclamando, infeliz, descontente.

O encontro aconteceu assim: estava assistindo caldeirão do Huck sábado à tarde, brincando com a Hanna, ela pulando em mim de lá pra cá provocando uma brincadeira. De repente alguém no portão chamando, eu como sempre acostumo ajudar os mais necessitados atendi já pensando em um saco de arroz, uma lata de achocalatado para dar.

Então quando abri a porta deparei-me com aquela moça com aparência de menina criança, corpo fraco, aparência frágil, carregando uma sacola de reciclável.

Ela me pediu: “ o senhor tem algum reciclado para me dar?”. Nesse meu tempo a Haninha veio atráz de mim latindo alto e ardido como sempre, eu gritei com ela com medo de que fugisse ou avançasse em alguém na rua (nem que fosse para mostrar respeito mesmo porque seu tamanho não mostra medo nem no mais fraco vira-lata).

Passado alguns minutos voltei com uma sacola de reciclado e algumas moedas e feliz da vida por ter feito minha parte mesmo que mínima pois tenho plena consciência que é o mínimo.

Ainda sentindo que podia fazer algo á mais puxei conversa perguntando sobre ela, mostrando interesse perguntei qual era a idade dela, ela disse que estava fazendo 23 anos naquele dia. Esboçou sorriso de canto de boca e se virou pra ir embora. Despois de alguns passos já descendo a ruae disse que o nome dela era o mesmo do meu cachorro. Partiu meu coração!!!