Com o nascimento de minha filha Helena, tive a oportunidade de reencontrar uma pessoa quase folclórica que fez parte da minha infância. Quero muito escrever sobre ele e a melhor maneira que encontrei para fazer isto é dividir o conteúdo em duas partes. Sendo que na primeira falarei sobre o lado pessoal, como ele entrou em nossa família, se tornou um personagem, esteve virtualmente, digamos assim, presente em diversas situações familiares. E na segunda parte pretendo observar o profissional fascinante, que aos 73 anos esbanja vitalidade, memória, lucidez, atual com seu ofício e em certos pontos ar tranquilizante de pai, por conhecer profundamente o terreno em que pisa.Como diz alguns amigos comecemos pelo começo, minha filha nasceu segunda-feira passada dia 09 de fevereiro em Itatiba, na quarta-feira eu e minha esposa a levamos a pediatra que cuidou de minha cunhadinha, lá em Itatiba mesmo, nossa terrinha. Na noite de quarta para quinta-feira daquela semana ela começou a chorar desfreiada e ininterruptamente. Com muito esforço meu sogro encontrou o telefone residencial da doutora que em 10 minutos, da maneira dela, “tranqüilizou” minha esposa. Bom, no finalzinho da conversa, minha esposa pediu o telefone residencial dela, uma vez que a própria doutora à pedido do meu sogro tinha ligado em casa por isso não tínhamos o telefone dela, e para o caso de alguma eventualidade. Parenteses: imprevistos e eventualidades dificilmente acontece à pais de primeira viagem, não acham?!
Foi quando minha esposa terminou a conversa rapidamente, colocou o telefone no gancho já derramando as primeiras lágrimas. Ela tinha ficado inconformada com a negação da doutora em não passar o telefone e se fosse caso de emergência ou outra necessidade ela estaria disponível no horári comercial no consultório que sabíamos bem onde ficava. Ora bolas, no horário comercial podemos encontrar qualquer um, não? Então porque precisaríamos de um pediatra? Quero dizer, porque manter uma rotina de acompanhamento com médico específico? Cacilda!!!
Tudo bem, continuemos. Logo depois, na mesma noite, meu irmão nos ligou perguntando como estava a Helena, se estava tudo bem, se estava mamando, dormindo. Depois de contar ele sugeriu levá-la no pediatra que esta cuidando do Henry, meu sobrinho de 6 meses. Foi quando então surgiu toda a história que trataremos neste artigo.
O Sr. em questão é o dr. Cesar Cavalheiro que na verdade ouço minha mãe falar sobre ele desde que me lembro por gente, como diz o ditado popular de Itatiba, ou seja, desde sempre.
O primeiro contato que tive com ele foi quando minha mãe passou a me levar para consultar com ele, porque ela tinha tido hepatite no hospital logo depois a cesariana e por conta disto tinha ficado meio fraquinho com algumas doenças normais de criança. Na verdade ele, agora pude ver, atendeu minha mãe em 3 pontos diferentes sendo o primeiro a parte técnica da medicina, ou seja, diagnósticos, tratamentos, remédios, etc. O segundo ele acolheu minha mãe de maneira muito segura, tranqüila, passando sempre toda sua experiência nas diversas situações em que uma mãe de primeira viagem pode se defrontar. Explicando que vários casos monstruosos aos marinheiros e marinheiras de primeiras viagens na verdade é nada mais nada menos do que reflexos naturais, necessidades fisiológicas dos bebês, crendices populares, superstições, etc. A terceira maneira e não menos importante é o lado paizão, despojado, tipo mestre Yoda, sabe? Aquele em qual recorremos para orientar em uma decisão, etc.
Gostei muito de ter reencontrado novamente, gostei muito mesmo. Na verdade, na minha cabeça, analisando melhor, não sei responder o que eu realmente imaginava sobre ele, se ainda estava vivo, se estava trabalhando, atendendo as crianças mesmo passado tanto tempo. Seriam 26 anos mais ou menos, em uma conta rápida pois hoje tenho 33 anos, consideremos que minha mãe tenha me levado até meus 7 anos de idade. Fazendo nove vezes fora,
dá 26.
Fiquei muito contente em voltar à mesma rua, ao mesmo consultório, depois de anos, levando minha filha para reencontrar uma pessoa tão querida e competente quanto ele. Fiz questão de revê-lo, de dizer que ele tinha cuidado de mim, que estava cuidando do meu sobrinho, de perguntar se ainda lembrava de mim e que aquela era minha filha para ele cuidar também. Que fiz questão de levar à ele. Fiquei muito contente com tudo isso. Valorizo muito a experiência, o profissionalismo, o dom, o talento para relacionamento e no caso dele também, o dom e a dedicação à profissão.
Seja em festas de aniversários, reuniões de famílias, festas de final de ano, virava-e-mexia tinha alguma criança pequena, uma mãe contando maravilhas sobre seus filhos e a minha mãe contando histórias do dr. Cesar Cavalheiro. Como ele tinha quebrado mitos, crendices populares, cuidados em excesso, o que tinha receitado pra mim, ou pro meu irmão ou pra minha irmã. Como tinha acalmado o desespero de minha mãe quando minha perninha estava dura, retraída, por causa de uma vacina mal aplicada no postinho de saúde. Minha mãe tinha certeza que era algo do tipo poliomielite, nunca era nada, sempre era algo.
Então, era nestas situações, que entrava o doutor Cesar Cavalheiro, tranqüilizando, receitando algo, ou geralmente não receitando. Dizendo para minha mãe esquecer aquela bobagem, de que criança chorar era fisiológico, que criança não era coitadinha, muito interessante.
Entre estas e outras que o dr. Cesar Cavalheiro foi gradualmente se tornando um personagem, um cavaleiro das Cruzadas, medieval, não pela idade mas pela importância. Na minha cabeça tinha se tornado um personagem de cinema, uma figura tipo 007. Interessantíssimo.
Acredito que não somente eu e meus irmãos mas também e principalmente minha mãe tinha se beneficiado com ele. Muito por causa das quebras de crendices e superstições, pela tranqüilidade que passava, talvez também pela figura de paizão que representou à ela e agora representa a mim. De uma maneira geral sinto o efeito disso tudo como se fosse antídoto ao medo de pai, de algo ocorrer de errado com o nenê. Confio que se existe alguém que pode ajudar minha filha a ficar longe de algum mal tipo gripezinha este alguém é o dr. Cesar Cavalheiro. É a segurança que passa.
Durante a consulta da semana passada, não desviei um segundo sequer os olhos dele, saboreei cada comentário, absorvi cada indicação, não perdi uma vírgula do que ele disse. Nesta fase de transe em que eu estava passei a reparar e admirar também o profissional dr. Cesar Cavalheiro, agora mais pelo lado da dedicação, do seu gosto pelo ofício, da simplicidade, do direito adquirido pela experiência de 43 anos na estrada da pediatria. Há certo momento da consulta ele disse que as vezes ele lembra das recomendações que fez a pacientes há 30-35 anos e se pergunta, seria ele mesmo que tinha feito aquilo? tamanha foram as mudanças ocorridas ao longo dos tempos. Por trás fica a mensagem de quão o profissional esta atualizado, conectado às mudanças apesar de idades, 73. Na sua mesa uma pequena pilha de revista em inglês sobre doenças infeccionas em recém- nascidos, deve ser exemplar de assinante. Não há computador, vários lembretes para retornar ligação a pacientes, há uma pequena ante-sala com maca para examinar os pequeninos.
O ponto mais interessante foi quando disse que as crianças chegaram a um ambiente, a uma família, onde já existia um conjunto de hábitos, costumes e que este ambiente não deve ser alterado ou adaptado ao mundinho dela e sim ela se adaptar ao ambiente pré-existente pois desta forma aprenderá que o mundo adulto não girará ao redor dela, que precisará desenvolver sua capacidade de sobrevivência e autonomia. Disse também que no primeiro mês a adaptação do nenê é consideravelmente grande e não só dela mas também a família estará se adaptando. Por isso nestes 30 dias o nenê poderá dormir no quarto dos pais mudando logo em seguida ao seu bercinho.
Reforço o comentário de minha esposa, que na verdade, não tínhamos levado a pequena Helena à uma consulta e sim a uma palestra, com um profissional de excelência, um mentor, e como disse antes um mestre Yoda.
Ao final da consulta, abriu a gaveta da mesa, retirou dois cartões iguais de visita com o telefone da clínica, seu telefone residencial e mais 5 outros telefones residências de outros drs. do mesmo corpo médico em caso de não o encontrar. Disse também que seus pacientes não vão ao pronto socorro, que são atendidos por ele ou por outro médico de sua confiança indicado por ele e também da clínica. Que tinha chegado a hora das perguntas dos papais, que costumava fazer desta maneira, que no começo dizia tudo sobre o bebê, observava isso, aquilo, explicava cada choro, a razão do chorinho quando sem roupa, que de bruços chora menos, o que era reflexo de Móro, e que no final poderíamos fazer toda e qualquer pergunta. A estratégia de condução da consulta é excelente, a palestra é muito abrangente, a consulta é ótima, no final não existe dúvidas.
Esta foi a segunda parte que prometi, no início, analisar, o lado profissional. Mas antes de finalizar farei mais alguns.
À tempo, fico satisfeito com este tributo ao dr. Cesar Cavalheiro.
Deus lhe abençoe.
Muito obrigado dr. Cesar Cavalheiro e à Deus principalmente.
Pai da Helena.






