Comecei a ouvir esta conversa logo depois que entrei na faculdade, desde então numca mais consegui esquecer. Parte talvez por causa de minha natureza ansiosa, parte pela ambição e pela garra de vencer. Naquela época, por volta dos meus 20 anos, tinha pouco mais de energia do que hoje, não que agora eu não tenha, talvez porque agora esteja mais farto disto, de não aguentar mais pensar nisto de sempre trabalhar e direcionar minha energia e esforço nisto.
Interessante que na época não pensava da maneira que passei a pensar agora, numca pensei que iria mudar de trilha, que passasse a questionar, mudar meus conceitos. Estava empolgado, motivado, contente em ser desta maneira e ter energia e vontade para acompanhar.
Só que... só que... passei a perder o folêgo, cheguei a completar os 42950 metros da exaustiva maratona e nada da linha de chegada. Passei então a me perguntar aonde estaria o raio da maldita linha de chegada?
Haviam me dito que teria uma linha de chegada mais ou menos por aqui, e.... nada da maldita linha de chegada. Como diz a canção do Cazuza “sem pódio de chegada nem beijo de namorada” era exatamente como me sintia.
A cara de espanto, o “UE, cadê todos?!” estava na minha cabeça.
Passei então a ter raiva de quem tinha me ensinado isto. Passei a me perguntar quem e porque teriam me passado este trote.
A questionar porque sempre existe o tiro de largada mas nem sempre a linha de chegada?! Porque não me alertaram sobre isto?! Porque?! Porque? Maldito seja!!! Porque temos que sofrer? Porque temos que perder a tranquilidade e a paz interior para então aprender?! Porque aprendemos só depois que temos a sensação de ter perdido? Ou será que somente seria a sensação de derrota? Ou será a voz da maturidade sussurrando bem próximo da orelha? Ou em uma conversa de bar, em um ambiente bem tranquilo que ela tenta passar este recado, esta pequeniníssima lição que nos tanto acalma? Que ninguém viria nos dizer aonde e quando seria a linha de chegada, o pódio, e o beijo de namorada? Que cada um corre quanto o coração aguentar bater, as pernas a começar a doer? Ou simplesmente achar que já esta bom, já esta satisfeito com o trajeto, que deu o melhor de si? Que a linha de chegada é o infinito? Que seria exatamente como tentar alcançar o céus pela torre de Babel?
Que agora o mundo infelizmente é assim? Ou será que é minha a visão? Será que o mundo é mesmo assim ou eu não estou sabendo ver o mundo como ele realmente é?
Sei lá. Só sei que tenho a concreta sensação de ser uma lição simples e rica. Que não é possível saber tudo. Que quanto mais sabemos temos a firme certeza de não sabermos nada. Que quanto mais medo e insegurança do amanhã mais queremos correr. Que talvez temos que ter um pouco mais de segurança e autoconfiança que a linha de chegada torna-se visível. Ufa!
Obrigado meus Deus!
Assim seja.